Papoila

Não lembro em que dia.
Sei que pintei uma papoila.

Senti-te na distância,
no silêncio do nevoeiro.

Em sombra te tornaste,
negra do meu luto.

Era inverno
e eu, apenas uma coisa ali.

Hoje caminho nesse silêncio
e a neblina recolheu-se.

Na distância permaneces
e do dia não me lembro.

 

Sei que te pintei.

Moldura

Neste inverno coloquei-te no meu canto,
no quarto onde durmo,
onde as orquídeas saúdam o dia.

 

Este inverno é mais frio.
A minha alma:
paisagem de neve e gelo.
Pintei-te no calor do verão.

 

És sombra que o sol ilumina,
na praia de mar tranquilo,
braços suspensos
em despedida.

 

Só neste inverno te consegui emoldurar.
Coloquei-te no canto do quarto
e durmo com as orquídeas.

Amantes do Sol (Fragmentos # 1)

Sonhadores 

nunca aprendem 

a largar  

seus amores, 

suas belezas, 

seus caminhos 

sem retorno.  

 

São 

amantes do sol 

que queima 

a pele enrugada 

da cicatriz. 

E, 

à porta 

do quarto, 

mandam-te 

entrar...

Flor do Alecrim  

Que venha agora o vento

Soprando a tristeza para além

Que a misture com as folhas

Com as chuvas de outono também

 

Que o alecrim traga muita flor

Pela segunda vez neste ano

Traz o teu cheiro, traz o teu nome

Toda a beleza do ser humano

Que volte o sorriso com o frio

Na hora certa de regressares

A porta aberta só se fecha

Pela noite, quando chegares

 

Que caia a primeira neve

Os nossos beijos a façam derreter

À minha beira, aqui estás

Não te faças mais perder

Estou aqui a dizer

Estou aqui a dizer-te

que fechei a porta,

que não tranquei o coração

e, ao mesmo tempo,

escuto o eco da onda

depois de bater nas rochas.

Só estou aqui a dizer

que, atrás do horizonte,

a porta se reabrirá

e, ao mesmo tempo,

escuto as lembranças

e os ecos dos porque e dos porquês.

E não digo aqui

aquilo que te dizia sempre,

aquilo que já não te posso dizer.

E, ao mesmo tempo,

ao escutar todos os ecos,

eles dizem-me para largar.

Para mim, o tempo parava.

Para ti, o tempo diminuía.

Ao longe, uma onda morria.

Ao longe, a gaivota lamentava.

 

Depois, saías.
Depois, ficava.
Levavas-me contigo.
Eu guardava-te em mim.

 

Ficávamos a correr nas veias,
a fluir na esperança
de que o nosso cheiro
fosse interminável.

 

Mas fomos como a onda,
no lamento da gaivota.
E assim, o tempo terminou.
E assim, o coração parou..

 

O Tempo

Wir benötigen Ihre Zustimmung zum Laden der Übersetzungen

Wir nutzen einen Drittanbieter-Service, um den Inhalt der Website zu übersetzen, der möglicherweise Daten über Ihre Aktivitäten sammelt. Bitte überprüfen Sie die Details in der Datenschutzerklärung und akzeptieren Sie den Dienst, um die Übersetzungen zu sehen.